A crise financeira dos EUA em linguagem de boteco…

O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça, na caderneta, à fiel freguesia: todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (essa pequena diferença é o custo que os pinguços pagam por ter crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas do bar são, afinal, uma bolada a receber (que batiza brilhantemente de “recebível”) e começa a adiantar dinheiro à bodega tendo o pendura dos pinguços como garantia.

Mais adiante, uns zécutivos financeiros, com dois emibiêi cada, utilizam os tais haveres do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, UFO, FDP, PQP, SOS ou qualquer outro sigla financeira que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Essas invencionices financeiras dos zécutivos gênios turbinam o giro do mercado de capitais e levam os patos, quer dizer, os investidores leigos, a fazer negócios derivados de outros negócios, e por isso se chamam brilhantemente de “derivativos”, que tem como base inicial o aquilo que todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses ‘derivativos’ são negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de dezenas de países.

Isso até o dia que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência, que não paga o banco, que não honra seus derivativos, etc, etc, etc…

E toda a cadeia entra em ‘crise sistêmica’. Ou, como diria seu Biu: Sifu!

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100 anos merecem comemoração

Li um case de marketing bastante inusitado no blog do Sim Viral – diga-se de passagem, um excelente blog do qual sou leitor assíduo!

Trata-se de uma brincadeira que a Ford resolveu fazer durante o centésimo aniversário da concorrente GM. Conta a estória que na véspera circulou o seguinte e-mail no prédio da matriz em Detroit:

Alguns anos atrás nós celebramos nosso 100° aniversário nos negócios… e que 100 anos foram esses. Nesta terça-feira, dia 16 de setembro, a General Motors celebrará seu 100° aniversário.

Como demonstração das nossas felicitações e de boa vontade, a parte sul da nossa sede será iluminada nesta segunda à noite.

Isso acontecerá abrindo e fechando estratégicamente algumas janelas específicas da parte sul do prédio. Na segunda, dia 15, por favor não mude a posição ou a direção das suas persianas para assegurar que a sede esteja brilhantemente iluminada para o 100° aniversário da General Motors. Nós pedimos sua cooperação e agradecemos você por nos ajudar a fazer a Ford Motor Company brilhar.

O resultado desta preparação foi o prédio da Ford com a seguinte aparência brincalhona:

E o verdadeiro resultado desta ação inusitada foi a viralização desta notícia. Como você está vendo agora, milhares de outras pessoas estão sendo atingidas, sem a Ford ter precisado investir sequer US$ 1,00 nisso tudo. É um dos melhores exemplos de como ações inovadores podem, a custos muito menores, trazerem resultados muito mais eficientes para divulgação da marca…

Violinos e Canhões

O tema mais apropriado nesta semana certamente é a oscilação da bolsa de valores. E vem a calhar… Estou começando a saber brincar com isso, ainda como pequeno investidor, operando os valores mínimos do home broker, mas é divertido ver erros e acertos.

Após quase seis anos operando, finalmente ganhei a tranquilidade necessária. Saber que na bolsa se vende ao som de violinos e se compra ao som de canhões. Na teoria é fácil, mas ter humildade para vender quando tudo está bem, mesmo parecendo que ganharia mais, e realizar o lucro logo é difícil. Mais difícil ainda é comprar mais ações no meio da crise, vendo seu dinheiro ir embora nas ações anteriormente compradas.

Mas, funciona! Em dezembro, quando tudo ia bem, pela primeira vez tirei boa parte do dinheiro e comprei um carro; lucro realizado! Esta semana, após 25% de perda, resolvi arriscar tudo e comprei mais ações na quarta-feira. Desde de então já valorizaram quase 15% o que equilibra a carteira e elimina as perdas. Com isso, resolvi criar um regra própria: use suas emoções pela bolsa de forma canalizada para o consumismo; quando estiver eufórico com os ganhos, gaste dinheiro tirando-o da bolsa; quando estiver nervoso com as perdas, aperte mais o cinto e coloque mais dinheiro na bolsa.

Se a crise já passou, acho que não! Se vale investir agora, tenho quase certeza que sim (se for para médio ou longo prazo). Mas, com cuidado na escolha das empresas – procure Petrobras, Vale do Rio Doce, MMX; evite bancos, construtoras, corretoras e empresas dependentes dos EUA. Mas, bancos aliás tenho esperanças, pois a crise os colocará em cheque, mas no Brasil eles são 100% sólidos e lucrativos; em algum momento o mercado internacional deverá ver isso e investir neles (mas não agora, talvez nem no próximo ano).

Este cenário todo me lembrou a “Bolha da Internet” do inicio do milênio. Promessas foram cumpridas e o mercado viu que construíra um modelo insustentável, punindo as empresas com a desvalorização. Mas, é interessante lembrar que tudo passou! As empresas sérias perpetuaram-se e cresceram – veja onde o Google e o Yahoo! chegaram. Aliás, as empresas.com hoje passam sem tremer com a crise, pois tem modelos de negócios sérios. Tudo que era prometido antes da bolha delas, hoje é cumprido: existem modelos de negócios sólidos, não gastam dinheiro sem razão, se planejam e contratam executivos experientes. Um primor de aprendizado e bom destino para investimentos.

Também assim será com esta crise. Não é o fim de nada; é apenas uma faxina, uma necessária limpeza Darwinista para deixar sobreviver apenas as empresas mais fortes. O mercado precisa disso de tempos em tempos. E o bom é que com isso o capital antes em empresas podres estará novamente disponível no mercado para financiar o crescimento das empresas fortes.

Para quem tiver capital disponível para longo prazo e nervos de aço, este é o momento certo para entrar no mercado e colher os frutos de recomeço no futuro. Pode perder um pouco agora, mas se for uma empresa grande (mais de R$ 5 bilhões de valor de mercado) e sólida, irá ganhar muito no futuro com a recomposição do real valor das ações.

Dicas para iniciar um Blog

Aproveitando o fato de ter migrado para o WordPress, vou fazer um post com dicas de como iniciar um blog, que muita gente tem me perguntado, e já explicando o porquê da troca.

As primeiras dicas são:

  1. seja paciente (no início, parece tempo perdido; quase ninguém acessará)
  2. faça com amor e dedicação (atualize sempre, mas não se cobre muito)
  3. divulgue! divulgue! divulgue! (as coisas não acontecem sozinhas)
  4. trabalhe para melhorar o posicionamento em buscas (seja encontrado)
  5. depois, se for levá-lo a sério, pense em domínio próprio e links patrocinados

Para começar do princípio recomendo que você use uma das plataformas consagradas de blogs:

a) WordPress (mais de recursos, menos funcional, pode ser local)
b) iG Blogs (agora está oferecendo o WordPress)
c) Blogger (fácil de usar, integrado ao Google)

Depois que iniciar, busque ser relevante. Escreva assuntos de interesse e divulgue-os.
Faça-o buscando outros blogs que tenham temas relacionados e ofereça links para eles a partir do seu blog. Avise-os e peça que façam o mesmo. Isso garante relevância aos olhos dos buscadores e gera visitas de usuários interessados no tema.

Utilize ferramentas de redes e relacionamentos como LinkedIn, Naymz, etc., colocando links nelas apontando para o seu blog. Isso irá melhorar o seu ranking nos buscadores (Google) e torná-lo mais relevante. Um dica é as páginas sempre se apontarem mutuamente (cross-link) – isso aumenta muito o ranking.

Última dica: pense sempre em SEO. Então, repita as palavras que são importantes para o buscador e coloque no título da página as palavras através das quais quer que seu blog seja encontrado em um buscador.

Algumas dicas de leituras básicas para trabalhar um blog:

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Publicidade muito além da mídia

Um tema sobre o qual gosto muito de escrever é a evolução do mercado de publicidade e os novos caminhos que a comunicação total com o cliente está tomando.

No vídeo abaixo, Sérgio Amado, presidente do conselho e CEO do grupo Ogilvy no Brasil, fala sobre sua coragem em mante-se fiel a estratégia traçada para garantir que o grupo se preparasse para o futuro, independente dos resultados em curto prazo para garantir a conquista de novos mercados.

A estratégia de Comunicação 360º do Grupo Ogilvy, na minha opinião, deveria ser um exemplo para todas as agências de publicidade sobre como auxiliar as empresas-clientes a se comunicarem com seus consumidores em todos os momentos do relacionamento – pela Mídia, pela Internet, no Ponto de Vendas, com Relações Públicas, etc.

Veja mais no post: Nem só de TV vive o consumidor

Digital economy

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“To succeed in the new digital economy, unlearn something old every day”

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A Web 2.0 poderia ter mudado a história

Normalmente, a história se repete e os cases se sucedem… Mas, recentemente, o novo cenário resultou num final diferente para a mesma situação.

Estou falando do caso clássico do lançamento da New Coke em 1985, com a retirada do mercado da Coca-Cola tradicional. Isso gerou tanta insatisfação nos consumidores mais fiéis que a empresa teve que reverter sua estratégia, após 3 meses de prejuízo, e foi obrigada a gastar bastante dinheiro para reverter a imagem e lançar a Coca Classic (com a fórmula antiga). Esta situação gerou a queda do então presidente da empresa.

Como as pessoas (e executivos) parecem sempre repetir erros passados, recentemente a Nestlé do Brasil lançou o Nescau 2.0, retirando o sabor tradicional das prateleiras após mais de 70 anos. Tudo indicava para a repetição do erro da Coca, mas desta vez a tecnologia a favor da inteligência salvou a empresa do prejuízo.

comunidade do orkut sobre nescau tradicional

Acontece que atualmente a empresa monitorando a mídia social, como o Orkut e os Blogs, pôde observar em tempo real a reação dos seus consumidores. Ao observar que milhares de consumidores do produto se organizaram em comunidades como “Queremos o Nescau tradicional” e “Volta, Nescau Tradicional” reclamando da ausência do produto “tradicional”, a empresa voltou atrás em sua estratégia e também manterá os dois produtos convivendo em paralelo.

Desta vez, graças as ferramentas colaborativas, a mudança de estratégia foi tomada antes de impactos a imagem da marca e antes de um executivo perder o seu emprego! Parabéns a Nestlé que soube utilizar bem a onda 2.0 da Internet. Inclusive comunicando em primeira mão às comunidades online sobre a volta do produto.