Violinos e Canhões

O tema mais apropriado nesta semana certamente é a oscilação da bolsa de valores. E vem a calhar… Estou começando a saber brincar com isso, ainda como pequeno investidor, operando os valores mínimos do home broker, mas é divertido ver erros e acertos.

Após quase seis anos operando, finalmente ganhei a tranquilidade necessária. Saber que na bolsa se vende ao som de violinos e se compra ao som de canhões. Na teoria é fácil, mas ter humildade para vender quando tudo está bem, mesmo parecendo que ganharia mais, e realizar o lucro logo é difícil. Mais difícil ainda é comprar mais ações no meio da crise, vendo seu dinheiro ir embora nas ações anteriormente compradas.

Mas, funciona! Em dezembro, quando tudo ia bem, pela primeira vez tirei boa parte do dinheiro e comprei um carro; lucro realizado! Esta semana, após 25% de perda, resolvi arriscar tudo e comprei mais ações na quarta-feira. Desde de então já valorizaram quase 15% o que equilibra a carteira e elimina as perdas. Com isso, resolvi criar um regra própria: use suas emoções pela bolsa de forma canalizada para o consumismo; quando estiver eufórico com os ganhos, gaste dinheiro tirando-o da bolsa; quando estiver nervoso com as perdas, aperte mais o cinto e coloque mais dinheiro na bolsa.

Se a crise já passou, acho que não! Se vale investir agora, tenho quase certeza que sim (se for para médio ou longo prazo). Mas, com cuidado na escolha das empresas – procure Petrobras, Vale do Rio Doce, MMX; evite bancos, construtoras, corretoras e empresas dependentes dos EUA. Mas, bancos aliás tenho esperanças, pois a crise os colocará em cheque, mas no Brasil eles são 100% sólidos e lucrativos; em algum momento o mercado internacional deverá ver isso e investir neles (mas não agora, talvez nem no próximo ano).

Este cenário todo me lembrou a “Bolha da Internet” do inicio do milênio. Promessas foram cumpridas e o mercado viu que construíra um modelo insustentável, punindo as empresas com a desvalorização. Mas, é interessante lembrar que tudo passou! As empresas sérias perpetuaram-se e cresceram – veja onde o Google e o Yahoo! chegaram. Aliás, as empresas.com hoje passam sem tremer com a crise, pois tem modelos de negócios sérios. Tudo que era prometido antes da bolha delas, hoje é cumprido: existem modelos de negócios sólidos, não gastam dinheiro sem razão, se planejam e contratam executivos experientes. Um primor de aprendizado e bom destino para investimentos.

Também assim será com esta crise. Não é o fim de nada; é apenas uma faxina, uma necessária limpeza Darwinista para deixar sobreviver apenas as empresas mais fortes. O mercado precisa disso de tempos em tempos. E o bom é que com isso o capital antes em empresas podres estará novamente disponível no mercado para financiar o crescimento das empresas fortes.

Para quem tiver capital disponível para longo prazo e nervos de aço, este é o momento certo para entrar no mercado e colher os frutos de recomeço no futuro. Pode perder um pouco agora, mas se for uma empresa grande (mais de R$ 5 bilhões de valor de mercado) e sólida, irá ganhar muito no futuro com a recomposição do real valor das ações.

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