Publicidade muito além da mídia

Um tema sobre o qual gosto muito de escrever é a evolução do mercado de publicidade e os novos caminhos que a comunicação total com o cliente está tomando.

No vídeo abaixo, Sérgio Amado, presidente do conselho e CEO do grupo Ogilvy no Brasil, fala sobre sua coragem em mante-se fiel a estratégia traçada para garantir que o grupo se preparasse para o futuro, independente dos resultados em curto prazo para garantir a conquista de novos mercados.

A estratégia de Comunicação 360º do Grupo Ogilvy, na minha opinião, deveria ser um exemplo para todas as agências de publicidade sobre como auxiliar as empresas-clientes a se comunicarem com seus consumidores em todos os momentos do relacionamento – pela Mídia, pela Internet, no Ponto de Vendas, com Relações Públicas, etc.

Veja mais no post: Nem só de TV vive o consumidor

Anúncios

Palestra em Vitória/ES

O evento de Vitória foi muito positivo, reunindo quase 100 profissionais de importantes empresas capixabas interessados em trocar idéias sobre como utilizar a Internet para gerar resultados de negócios.

O evento foi um café da manhã muito bem organizado pela e-brand, à qual agradeço pelo convite. Aproveito para colocar aqui a apresentação que realizei:

O fim da era dos cliques

Vamos tirar os botões do mouse? Ainda não… Mas, em breve deveremos tirá-los do planejamento e das métricas de campanhas online.

O antigo e ultrapassado % CTR (taxa de cliques) mede apenas quantas vezes um peça foi clicada a cada cem exibições. Mas, não mostra se este usuário realmente chegou ao website, esperou o mesmo carregar, navegou no conteúdo ou, o mais importante, realizou uma compra ou conversão.

As empresas precisam saber mais! Precisam saber a eficiência da campanha até sua ponta final, para acompanhar os diferentes indicadores: custo de impressão da peça, custo por usuário impactado, custo por visita no site e custo de aquisição de um cliente, entre outros.
Qual é o mais importante? Depende do objetivo de cada campanha.

Se uma campanha tem objetivo institucional ou de comunicação de uma mensagem simples, novos formatos de publicidade interativa já podem fazer todo o trabalho de comunicação da campanha, sem necessitar de cliques ou visitas a websites. E, neste caso, o mais importante é medir quantas interações ocorreram com a peça. Tecnologias como widgets podem inclusive realizar operações no próprio ambiente do Portal, como encontrar a loja física mais próxima do trabalho.

O CTR ainda tem seu valor para demonstrar o interesse em uma determinada peça ou linha criativa, mas deve ser visto com ressalvas, pois fica fácil aumentar o índice de cliques colocando um mulher nua no banner; mas, o que o cliente encontrará após o clique? Cumprirá a promessa criada na mente do usuário? Será um conteúdo ou produto relevante a mensagem do banner, de forma a gerar consumo?

Adicionalmente, estamos na era do pouco tempo e falta de paciência. Assim, o ideal é já oferecer ao usuário o conteúdo que ele necessita na apresentação da peça! Poupe o tempo do usuário, ofereça uma mensagem direta e muito alinhada ao conteúdo que ele encontrará após o clique. Aproveite o momento que o usuário está interagindo, ainda que fora do seu site, em um Portal por exemplo, para comunicar o que é necessário.

Novos formatos de richmedia ajudam bastante neste aspecto, possibilitando convidar o usuário a uma interação com pouco espaço ocupado e quando demonstra seu interesse a peça entregará a informação relevante. Por exemplo, uma oferta de consórcio da Ford que permita ao cliente interagir definindo até quando pode esperar pelo carro, para visualizar as informações personalizadas a esta decisão. Se continuar interessado, aí poderá clicar e ser direcionado para a contratação em uma página específica para os parâmetros selecionados pelo visitante.

No futuro, é possível que se reduza também a importância do clique dentro do site visitado. Hoje ainda se considera muito o número de páginas por visita ou o número de cliques. Mas, isto é realmente relevante? Não é mais interessante medir a efetiva interação do usuário com os conteúdos? Por exemplo, páginas de vídeo onde não basta saber se o cliente chegou, mas se este interagiu assistindo o vídeo até o fim ou pasando-o ou pulando-o ou maximizando-o.

O mesmo vale para outros conteúdo. Veja um excelente conteúdo experimental de site que interage inteiramente sem cliques – o projeto DON’T CLICK IT. Esta é na verdade a forma natural das pessoas; não viemos com botões nas pontas dos dedos, estamos acostumados a interagir tocando ou arrastando. É melhor já ter o resultado da interação sem precisar clicar e aguardar – fazer o usuário clicar é cada vez mais difícil; estamos desconfiados.

Esta é a razão pela qual o iPhone faz tanto sucesso: interage através dos toques dos dedos com gestos como arrastar, ao invés de clicar em uma seta para o lado.

Viralização do Novo Gol

Oi, pessoal. Hoje começou a campanha viral da VW para lançamento do Novo Gol.
Ela se baseia no filme dos Ninjas, com a Gisele, o Stallone e SEU amigo.
É possível customizar e enviar para os amigos. Mas, não deixe de colocar o telefone correto…

http://www.vw.com.br/lindoseimplacaveis/

Aproveitem para enviar para si mesmos, para ver a interação que é show!

Veja também o making-off da campanha

A força dos bloggs na Viralização

Não deu para, como bloggueiro, ficar de fora da discussão. Muitos me perguntaram o que eu achava sobre a ação da Coca-Cola para a divulgação do seu novo hidrotônico i9 através dos blogs…

Acontece que a Coca-Cola, através de sua equipe de relações públicas, decidiu enviar para 9 blogueiros selecionados no Brasil como formadores de opinião uma mini geladeira personalizada, que se ligava através da porta USB do computador, contendo em primeira mão uma garrafa de i9 – antes de seu lançamento. Quando os blogueiros ligavam a geladeira, surgia um pop up na tela do computador com uma parte diferente do making of do filme de lançamento.

Foi o suficiente para alguns veículos acusarem os selecionados de serem “blogs-de-aluguel”. Nada disso! Ninguém recebeu dinheiro pela ação, a geladeira não foi condicionada a nenhum post e a Coca não direcionou opiniões sobre o produto. Apenas foi habilidosa em proporcionar a alguns formadores de opiniões a experiência com o produto, antes dos demais mortais, para que estes se sentissem privilegiados e motivados a comentar.

Isso se chama “conteúdo publieditorial” em um bom planejamento de marketing e sempre foi feito também nos veículos offline. Ou estes mesmos jornalistas se esquecem agora que sempre receberam brindes, convites para eventos, passagens para assistir ao lançamento de novos produtos? Ou será ainda que eles também se sentiam “jornalistas de aluguel”, nestas situações, ao escrever sobre tais eventos ou produtos? Nenhum dos exemplos, em minha modesta opinião caracterizam nada de errado. Muito pelo contrário! São formas legítimas e inteligentes de se fazer marketing. A única diferença neste recente caso da Coca-Cola é que utilizaram um canal online – e que já tem bastante força. É natural que jornalista “das antigas” não entendam e se sintam preteridos.

Mas, tenho certeza que com o tempo esta discussão não existirá mais pois entenderão que o canal online nada mais é do que a evolução tecnológica dos mesmos meios offline. Também pode e deve ser utilizado para estas ações, com a devida adaptação de linguagem e relacionamento. Mas, os antigos que se segurem pois a tendência e cada vez mais estes novos canais ganharem força por sua credibilidade, por suas características e por sua proximidade com os leitores. A Coca já percebeu isso… É uma tendência irreversível de desconstrução de ícones midiáticos.

Veja o vídeo de lançamento clicando aqui.

Veja um dos sites personilizados para os bloggueiros.

nota do editor: campanha a parte, o produto é bom inclusive; o primeiro hidrotônico que provei sem gosto de soro, parece mais uma H2OH!
(em tempo, antes que me acusem de algo, não tive a sorte de receber uma geladeira)

———————–

Após um mês, qual foi o resultado da ação?
Acredito que melhor que o esperado, pois além da divulgação planejada nos blogs (onde dos 9 escolhidos, 5 publicaram posts), houve uma multiplicação de conteúdos motivados pelo polêmico termo “blogs-de-aluguel”, atingindo aproximadamente 16.900 posts e matérias comentando o lançamento do produto e/ou a campanha de uso dos blogs – quase todos defendendo a ação!
Chegou até mesmo ao O Globo.

Ouvindo o chão de fábrica

A inteligência de mercado muitas vezes fica escondida nas fileiras operacionais da empresa.
No vídeo a seguir, o palestrante
Mario Sergio Cortella ilustra isso com uma história real.

Um dos maiores erros dos gerentes de inteligência é apenas comprar pesquisas, observar os indicadores econômicos, investigar os concorrentes, sem nunca buscar o conhecimento já existente dentro da própria empresa.
O conhecimento incorporado no chão-da-fábrica é parte muito importante do tripé da inteligência. Abrir de fato os canais de comunicação interna
é fundamental e muito mais barato!

Estou participando… Em que devo prestar atenção?

Dando continuidade ao post anterior sobre blogs, gostaria de pensar sobre como uma empresa pode utilizar o seu blog corporativo para reunir informações, gerar conhecimento e alimentar as áreas de inteligência de mercado, comunicação e produtos, dentre outras.

Ele pode retroalimentar o planejamento corporativo com baixos custos, quando comparado a pesquisas de mercado tradicionais. Mas, é preciso saber quais informações devem ser consideradas e como acompanhá-las; sem ficar restrito ao número de visualizações e visitantes. Deve-se ir mais a fundo, avaliando o conteúdo de maior interesse, os geradores de visitas, os tipos de comentários, a geração de buzz word, etc.

No blog podemos antecipar movimentos, necessidades e opiniões dos consumidores. Bem como avaliar o estágio de vida de um produto e testar/refinar a comunicação, através da resposta dos consumidores. A definição das métricas mais relevantes é fundamental. Não existe regra, mas normalmente é possível colher informações após 3 a 6 meses. Alguns exemplos de informações relevantes e como medir são:

• o que está trazendo os usuários ao meu blog (reffers, keywords, eventos offline)
• quais assuntos tem mais eco (comentários por post, conteúdos mais lidos)
• o que gera mais relevância para a marca (publicações de posts na mídia, viralização)
• qual comunicação gera maior efeito (respostas a post, viralização, destino após leitura)
• aceitação de produtos (teor dos comentários a produtos, quantidade de advocates)
• redução da dissonância cognitiva (principais dúvidas, pontos nebulosos, inseguranças)
recall de campanhas (aumento de visitas após veiculações offline, online, newsletter)
• importância de ações regionais (localização dos visitantes, teor local de comentários)
• geração de mídia espontânea (publicação de notícias x publicação de posts)


Tive uma experiência em uma empresa de varejo direto do Brasil, que colheu importantes resultados ao adequar a comunicação e até a oferta dos produtos baseando-se em informações extraídas do blog, como: principais dúvidas sobre os produtos e comentários sobre a complementaridade de produtos da empresa. De posse desse conhecimento, é possível até melhorar os resultados nas lojas físicas, treinando a equipe de vendas com discursos para incentivar a venda casada (cross selling) e reduzir as dúvidas dos clientes, aumentando a taxa de conversão e o ticket médio.

A Boeing, uma das pioneiras na utilização de blogs corporativos, consegue identificar esclarecimento necessários sobre a marca, confusões que clientes fazem em relação ao serviço de empresas áreas e a marca Boeing, e assuntos que geram interesse e mídia espontânea. Randy Tinseth, vice-presidente de marketing da empresa, deu entrevista a revista Exame dizendo que “sempre que publicamos algo a respeito do 787 é um sucesso de audiência; leitores adoram quando mostramos coisas como detalhes da fábrica que está construindo os primeiros modelos”. Tinseth ressaltou ainda como o blog permite uma resposta rápida a ações da concorrência, “a Airbus fez propaganda do A320, dizendo que era maior que o 737; em termos de espaço interno a vantagem é de apenas 0,5 polegada por assento; fizemos essa ponderação no blog da Boeing e foi um sucesso”.

Se para grandes empresas o blog já fornece informações importantes, para as pequenas e médias empresas ele pode ser ainda mais relevante. Pois muitas vezes, esta será a única fonte para empresas sem verbas para pesquisas e estudos externos. Bem trabalhado e preferencialmente integrado ao S.I.M. da empresa, o blog pode auxiliá-la no seu planejamento e medição de resultados. Facilitando o trabalho da área de Inteligência, ao fornecer-lhe novos insumo e permitir o teste imediato de hipóteses.