Sistemas de Informação de Marketing

inteligência competitiva eficiente depende fundamentalmente de Sistemas de Informação (S.I.) bem azeitados. Tende-se a pensá-los apenas como programas, softwares, aplicativos… Mas, a visão completa de um sistema inclui o conjunto de processos, pessoas e ferramentas que fazem a informações ser adquirida, processada e entregue de forma ordenada, eficiente e otimizada.

orelhao1nz91A primeira vez que tive contato real com um Sistema de Informação de Marketing(SIM) em ação foi há muitos anos em visita de campo com um vendedor. Seguindo processos e fluxos ordenados o SIM fazia as informações de mercado relevantes chegarem aos decisores corretos, com ferramentas como telegramas, orelhão de fichas, telex nos correios e muita operação manual. Porém, tudo funcionava bem mesmo sem tecnologias modernas.

Com a atual geração de ferramentas colaborativas, diversas soluções gratuitas estão prontas para serem utilizadas no fluxo de informação de uma empresa de forma a intensificar suas ações de inteligência competitiva, sem necessidade de onerosos desenvolvimentos. O SIM pode ser executado de forma mais natural e fluída: toda a equipe pode ser avisada simultaneamente sobre uma coleta de preços por um alerta no Twitter em seus celulares; o retorno à empresa pode ser dado através de videoconferência por celulares 3G; a lista de preços pode ser enviada à empresa por fotos do celular em MMS ou mesmo por uma aplicação desmartphone que já publica os valores em um banco de dados; banco de dados este que pode ter alertas configurados para avisar aos stakeholders certos sempre que houver alterações significativas, já aplicando Controle Estatístico de Processos (CEP) para expurgar os desvios e validar os valores.

twitter1As empresas que melhor aproveitarem estas novas ferramentas para ativar as informações de campo certamente levarão vantagem na reação ao mercado e verão seus resultados progredirem. O principio do Sistema de Informação continua o mesmo: fazer as informações relevantes chegarem à empresa o mais rápido possível – se trata de processos! Sem objetivo de negócio, a tecnologia pode entregar informação errada a pessoas erradas e atrapalhar a corporação. Então, comece pela identificação dos objetivos, o mapeamento dos fluxos de informações e a definição correta dos processos. Depois pense nas ferramentas e nas plataformas tecnológicas (largamente disponíveis). Assim, a aderência será muito maior e o projeto menos oneroso.

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A força dos bloggs na Viralização

Não deu para, como bloggueiro, ficar de fora da discussão. Muitos me perguntaram o que eu achava sobre a ação da Coca-Cola para a divulgação do seu novo hidrotônico i9 através dos blogs…

Acontece que a Coca-Cola, através de sua equipe de relações públicas, decidiu enviar para 9 blogueiros selecionados no Brasil como formadores de opinião uma mini geladeira personalizada, que se ligava através da porta USB do computador, contendo em primeira mão uma garrafa de i9 – antes de seu lançamento. Quando os blogueiros ligavam a geladeira, surgia um pop up na tela do computador com uma parte diferente do making of do filme de lançamento.

Foi o suficiente para alguns veículos acusarem os selecionados de serem “blogs-de-aluguel”. Nada disso! Ninguém recebeu dinheiro pela ação, a geladeira não foi condicionada a nenhum post e a Coca não direcionou opiniões sobre o produto. Apenas foi habilidosa em proporcionar a alguns formadores de opiniões a experiência com o produto, antes dos demais mortais, para que estes se sentissem privilegiados e motivados a comentar.

Isso se chama “conteúdo publieditorial” em um bom planejamento de marketing e sempre foi feito também nos veículos offline. Ou estes mesmos jornalistas se esquecem agora que sempre receberam brindes, convites para eventos, passagens para assistir ao lançamento de novos produtos? Ou será ainda que eles também se sentiam “jornalistas de aluguel”, nestas situações, ao escrever sobre tais eventos ou produtos? Nenhum dos exemplos, em minha modesta opinião caracterizam nada de errado. Muito pelo contrário! São formas legítimas e inteligentes de se fazer marketing. A única diferença neste recente caso da Coca-Cola é que utilizaram um canal online – e que já tem bastante força. É natural que jornalista “das antigas” não entendam e se sintam preteridos.

Mas, tenho certeza que com o tempo esta discussão não existirá mais pois entenderão que o canal online nada mais é do que a evolução tecnológica dos mesmos meios offline. Também pode e deve ser utilizado para estas ações, com a devida adaptação de linguagem e relacionamento. Mas, os antigos que se segurem pois a tendência e cada vez mais estes novos canais ganharem força por sua credibilidade, por suas características e por sua proximidade com os leitores. A Coca já percebeu isso… É uma tendência irreversível de desconstrução de ícones midiáticos.

Veja o vídeo de lançamento clicando aqui.

Veja um dos sites personilizados para os bloggueiros.

nota do editor: campanha a parte, o produto é bom inclusive; o primeiro hidrotônico que provei sem gosto de soro, parece mais uma H2OH!
(em tempo, antes que me acusem de algo, não tive a sorte de receber uma geladeira)

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Após um mês, qual foi o resultado da ação?
Acredito que melhor que o esperado, pois além da divulgação planejada nos blogs (onde dos 9 escolhidos, 5 publicaram posts), houve uma multiplicação de conteúdos motivados pelo polêmico termo “blogs-de-aluguel”, atingindo aproximadamente 16.900 posts e matérias comentando o lançamento do produto e/ou a campanha de uso dos blogs – quase todos defendendo a ação!
Chegou até mesmo ao O Globo.

Ouvindo o chão de fábrica

A inteligência de mercado muitas vezes fica escondida nas fileiras operacionais da empresa.
No vídeo a seguir, o palestrante
Mario Sergio Cortella ilustra isso com uma história real.

Um dos maiores erros dos gerentes de inteligência é apenas comprar pesquisas, observar os indicadores econômicos, investigar os concorrentes, sem nunca buscar o conhecimento já existente dentro da própria empresa.
O conhecimento incorporado no chão-da-fábrica é parte muito importante do tripé da inteligência. Abrir de fato os canais de comunicação interna
é fundamental e muito mais barato!

Estou participando… Em que devo prestar atenção?

Dando continuidade ao post anterior sobre blogs, gostaria de pensar sobre como uma empresa pode utilizar o seu blog corporativo para reunir informações, gerar conhecimento e alimentar as áreas de inteligência de mercado, comunicação e produtos, dentre outras.

Ele pode retroalimentar o planejamento corporativo com baixos custos, quando comparado a pesquisas de mercado tradicionais. Mas, é preciso saber quais informações devem ser consideradas e como acompanhá-las; sem ficar restrito ao número de visualizações e visitantes. Deve-se ir mais a fundo, avaliando o conteúdo de maior interesse, os geradores de visitas, os tipos de comentários, a geração de buzz word, etc.

No blog podemos antecipar movimentos, necessidades e opiniões dos consumidores. Bem como avaliar o estágio de vida de um produto e testar/refinar a comunicação, através da resposta dos consumidores. A definição das métricas mais relevantes é fundamental. Não existe regra, mas normalmente é possível colher informações após 3 a 6 meses. Alguns exemplos de informações relevantes e como medir são:

• o que está trazendo os usuários ao meu blog (reffers, keywords, eventos offline)
• quais assuntos tem mais eco (comentários por post, conteúdos mais lidos)
• o que gera mais relevância para a marca (publicações de posts na mídia, viralização)
• qual comunicação gera maior efeito (respostas a post, viralização, destino após leitura)
• aceitação de produtos (teor dos comentários a produtos, quantidade de advocates)
• redução da dissonância cognitiva (principais dúvidas, pontos nebulosos, inseguranças)
recall de campanhas (aumento de visitas após veiculações offline, online, newsletter)
• importância de ações regionais (localização dos visitantes, teor local de comentários)
• geração de mídia espontânea (publicação de notícias x publicação de posts)


Tive uma experiência em uma empresa de varejo direto do Brasil, que colheu importantes resultados ao adequar a comunicação e até a oferta dos produtos baseando-se em informações extraídas do blog, como: principais dúvidas sobre os produtos e comentários sobre a complementaridade de produtos da empresa. De posse desse conhecimento, é possível até melhorar os resultados nas lojas físicas, treinando a equipe de vendas com discursos para incentivar a venda casada (cross selling) e reduzir as dúvidas dos clientes, aumentando a taxa de conversão e o ticket médio.

A Boeing, uma das pioneiras na utilização de blogs corporativos, consegue identificar esclarecimento necessários sobre a marca, confusões que clientes fazem em relação ao serviço de empresas áreas e a marca Boeing, e assuntos que geram interesse e mídia espontânea. Randy Tinseth, vice-presidente de marketing da empresa, deu entrevista a revista Exame dizendo que “sempre que publicamos algo a respeito do 787 é um sucesso de audiência; leitores adoram quando mostramos coisas como detalhes da fábrica que está construindo os primeiros modelos”. Tinseth ressaltou ainda como o blog permite uma resposta rápida a ações da concorrência, “a Airbus fez propaganda do A320, dizendo que era maior que o 737; em termos de espaço interno a vantagem é de apenas 0,5 polegada por assento; fizemos essa ponderação no blog da Boeing e foi um sucesso”.

Se para grandes empresas o blog já fornece informações importantes, para as pequenas e médias empresas ele pode ser ainda mais relevante. Pois muitas vezes, esta será a única fonte para empresas sem verbas para pesquisas e estudos externos. Bem trabalhado e preferencialmente integrado ao S.I.M. da empresa, o blog pode auxiliá-la no seu planejamento e medição de resultados. Facilitando o trabalho da área de Inteligência, ao fornecer-lhe novos insumo e permitir o teste imediato de hipóteses.

Marketing de Conhecimento

Um termo popular entre os executivos de Marketing e CRM é o Marketing One-to-One, uma vertente do marketing mais preocupada com o cliente do que com o produto. Mas isso não é exatamente algo novo. Na verdade, é uma preocupação em resgatar o passado, quando os vendedores conheciam individualmente seus clientes e podiam atendê-los melhor, alavancando o seu potencial de consumo, baseado em ofertas exclusivas e direcionadas.

Essa realidade foi esquecida, com o crescimento do volume de clientes nas empresas, mas hoje a tecnologia está tornando possível o retorno desta filosofia de atendimento individual. A Internet mostrou que era possível atender cada cliente da forma que mais lhe agradasse. Grandes bases de dados permitem que vendedores reais tenham informações suficiente para fazer o mesmo. E muita novidade ainda está por vir! Já começa a despontar o RF-ID, o identificador único, a TV interativa e muitos outros canais para atender o cliente e reter todas as informações sobre cada transação feita com aquele indivíduo.

Para ilustrar esta potencialidade, imagine a possível estória de Beto (solteiro, 26 anos) e Ana (casada, 55 anos) que ainda não se conhecem hoje, mas em breve estarão juntos em Búzios. Veja bem, eles têm muito em comum: ambos têm renda disponível, gostam de dramas policiais, têm TV interativa, e adoram viajar. Portanto, durante uma reprise de “Miami Vice” (em uma TV interativa), um anúncio de pousada em Búzios entra na fila para ir ao ar. Durante o comercial, Beto vê praias de areia branca cheias de jogadoras de voleibol, asas-deltas brilhantes e uma discoteca para solteiros, ao som de rock ‘n roll. Seu interesse cresce, ele clica no ícone interativo com o controle remoto da TV e vê informações detalhadas sobre a viagem.
Assistindo à mesma reprise de “Miami Vice” – durante o mesmo intervalo comercial – Ana viu algo totalmente diferente do anúncio de Beto. Isso aconteceu porque ela foi apresentada a uma cena relaxante de praias desertas e um casal de cinqüenta e poucos anos desfrutando um coquetel de frutas depois de dançar ao ritmo da praia – mais próximo de Frank Sinatra que de Limp Bizkit. Ana clica e vê instantaneamente informações detalhadas.

Ambos compraram o mesmo pacote para a mesma pousada em Búzios, mas cada um viu um anúncio diferente, com uma “roupagem” customizada do produto. Mas, não é necessária a TV interativa para tornar isso real; contando com boas bases de dados, eles poderiam ter recebido correspondências de mala-direta diferentes, individualizadas e com o conteúdo adequado a cada um, provocando também seu encontro na pousada.

É claro que isso tudo tem um custo – mais elevado do que o do tratamento convencional. Mas vale a pena; vale para a empresa e vale para o cliente, que é melhor tratado e está disposto a pagar mais por isso. Tanto é assim que algumas empresas estão dividindo estes custos com seus clientes, acrescentando alguma taxas. Mas acredito que o futuro esteja mais para o modelo Google (grátis para o cliente).

Muito ainda deve ser definido nesta área, mas o mais provável é que ao invés de dividir o custos com os clientes, as empresas dividam o custo entre si – criando grandes bases de dados públicas onde as empresas dividam as informações e os custos, podendo utilizar melhores recursos e mais informações, com custos menores para cada uma.